02/06/2014

Imora - 1º Capítulo


1º Capitulo

Apollymi percorria os longos corredores de Kalosis, tinha acabado de meter ordem no salão principal, onde um grupo enorme de Charontes fazia um festim e se banqueteava, ao que parecia tinham começado uma luta até à morte por causa de um naco de carne, mal aparecera às portas do salão todos estacaram e fizeram vénias, todos menos o imprestável demónio que jazia no chão sem vida.
No seu exército não havia lugar para elos fracos, se o Xon não sobreviveu ao ataque de Zhun, só significava que não valia nada por entre as fileiras e então a sua morte foi mais
que merecida.
Se bem que agora os seus Charontes tinham pouca utilidade, não havia guerras entre Panteões e a pedido de Acheron, ela não os deixava sair de Kalosis.
A deusa, nunca tinha sido conhecida pelos seus gestos amáveis, antes pelo contrário,
muitos temiam-na pois sabiam que ela matava primeiro e só depois fazia perguntas, tal como tinha feito à muitos milénios atrás, quando arrasou com o Panteão Atlante e
afundou a Atlântica.
Chegando à zona restrita em Kalosis, onde fazia sua morada, apenas uma mão cheia tinha autorização de entrar, a sua privacidade era algo que prezava bastante.
Sentiu alguém no seu jardim, praguejou, coisa que raramente fazia. "Que raio está aquele idiota a fazer no meu jardim?" disse para si mesma e encaminhou-se para lá.
Ao abrir a porta que dava dos seus aposentos para o seu jardim, viu uma figura de dois
metros, de feições perfeitas, cabelo preto pelos ombros, corpo coberto de tatuagens e
vestido como se tivesse acabado de sair de cima de uma prancha, todo ele era poder e a sua pose dizia claramente "se me chateias, estás fodido".
- Que fazes aqui Savitar e ainda por cima assim vestido?
Perguntou Apollymi irritada.
- Não comeces Polly...
Começou Savitar mas foi interrompido
- Não te atrevas a chamar-me isso, há muito que perdeste esse direito!
- Posso continuar ou vais continuar a resmungar?
Disse-lhe ele com um ar provocador.
Apollymi virou-lhe as costas e começou a andar pelo seu jardim, preferindo não responder, Savitar tinha o dom de a levar aos limites em poucas palavras, ele era dos
poucos que conseguia tal feito, ela lutava constantemente com o que Savitar lhe fazia sentir, mas ela sempre tentou ignorar os seus sentimentos, menos o ódio que nutria por ele.
Savitar viu Apollymi ignorá-lo propositadamente e ficou a observa-la, contra toda a sua
vontade, ele permitiu-se admira-la, ela era bela, com aquele cabelo de um loiro
praticamente branco, roçava-lhe suavemente contra a cintura do seu justo vestido preto.
Ela movia-se graciosamente entre as rosas pretas que enchiam o seu jardim e era mais bonita que elas todas juntas. Deu por si abanar a cabeça para espantar aquela linha de pensamento, ele não podia ir por ai.
De repente ela vira-se como se estivesse a ler os seus pensamentos e olha-o com
curiosidade.
- Diz-me Savitar o que te trás realmente aqui?
- Acho que devemos contar toda a verdade ao Acheron, ele merece saber.
Não teria ficado mais espantada se Savitar lhe tivesse batido.
- O que estás para ai a dizer? Bateste com a cabeça na prancha ou quê?
- Foi o que ouviste, ele merece saber o que se passou e mais importante, eu mereço
saber o que se passou!
- Tu não mereces nada de nada, não tenho que me justificar perante ti nem ninguém.
- Polly, eu preciso saber a verdade, andas a guardar segredo há muitos anos e eu tenho-me contido, faço o meu papel e não tenho feito perguntas, mas acho que chegou a altura de metermos tudo a limpo.
Apollymi precisou de se sentar com o que acabava de ouvir, ela sabia ao que Savitar se
referia, mas a dor do que ele lhe tinha feito no passado, impedia-a de contar-lhe a verdade e principalmente contar a Acheron.
Não queria fazer o seu filho sofrer mais, ele já tinha tido a sua dose de sofrimento para a sua existência imortal. Contar-lhe a verdade seria como puxar-lhe o tapete a meio da caminhada e Acheron nunca iria perdoa-la.
Savitar via o sofrimento no olhar prateado

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